sábado, 27 de março de 2010

Conceito de Competência

Tenho me deparado com muitas empresas querendo implantar Gestão por Competências ou Avaliação de Desempenho em suas organizações e percebo que muitas pedem ajuda porque não tem uma ideia clara por onde começar.

Antes de começar, é importante enteder o conceito de competência, o qual está muito bem explicado em um artigo de Roberto Ruas chamado "Gestão por Competências: Uma contribuição à estratégia da organização".

O primeiro ponto de controvérsia da noção de competência é o tênue limite entre as expressões de capacidades e compentências. A seguir, temos um segundo ponto, que diz respeito aos resultados desejados. Portanto:

1) As capacidades podem ser entendidas como o conjunto CHA (Conhecimento, Habilidades e Atitudes) que uma empresa, setor ou indivíduo dispõem para serem mobilizados em uma situação específica. Podem também estar associados a outros tipos de recursos, como instrumentos, equipamentos, sistemas de informação, entre outros.
2) As competências são entendidas como a ação que combina e mobiliza as capacidades e os recursos tangíveis, quando for o caso. Este conceito de competência como "ação" é importante porque relaciona a competência aos mais diversos contextos que enfrentamos todos os dias, fazendo com que possamos ser compententes hoje, ao realizar bem uma tarefa, e incompetentes amanhã, caso não consigamos agir da mesma forma e não consigamos obter o resultado desejado.
3) A mobilização das capacidades e recursos no exercício de uma competência vai estar sujeita aos resultados desejados que se pretende obter com esta ação e às condições que se colocam no contexto.

A imagem abaixo busca representar um exemplo de competência chamada "expressar-se por escrito". Para ser competente nesta ação, um conjunto de capacidades (CHA), bem como um conjunto de recursos, devem ser mobilizados na obtenção do resultado desejado dentro do contexto e condições apresentados. É interessante perceber como podemos obter resultados totalmente diferentes se as condições de tempo, assunto e resultado desejado com a ação forem diferentes.

Portanto, posso acabar sendo competente nesta ação quando o contexto é o Twitter, por exemplo, onde possuo somente 140 caracteres para expressar algo, assim como posso não ter a mesma competência para expressar um conteúdo em um blog ou artigo acadêmico. Neste caso, percebe-se claramente que o resultado esperado por quem lê o Twitter é totalmente diferente de quem lê um blog ou artigo acadêmico também.


Concluindo, tenho constatado que nas empresas há uma confusão quanto a este conceito, muitas vezes sendo levado sob a lógica da descrição de tarefas e funções ou qualificação. As empresas valorizam mais as aptidões, ou seja, o "estoque" de conhecimentos e experiências sustentado pelo fascínio do curriculum vitae em detrimento ao desempenho. Espera-se, então, que as empresas e, principalmente os profissionais de recursos humanos, entendam a competência como uma ação sob a forma de mobilização das capacidades e recursos na obtenção de um resultado desejado dentro de um contexto específico e trabalhem essa dimensão em suas organizações.

6 comentários:

Neto disse...

eu acho que competência tem aver com cumprir seus deveres como cidadão e preparar com a maior garra oque pedem

@dany_fsouza disse...

Muito bom... vai me ajudar muito no trabalho de Dinâmica das Relações Humanas.

Anônimo disse...

este estudo foi muito emportante para minha pesquisa sobre competências.

Adilson Domingues disse...

Muito bom, esclarecedora a explicação.

Anônimo disse...

onde acho o artigo do autor Roberto Ruas na íntegra?

Gustavo Casasrotto disse...

Eu recebi o artigo dele através dele mesmo em uma aula de Mestrado. Acredito que não esteja disponível na Web. Talvez consiga em softwares de busca de artigos dentro da sua Universidade/Faculdade.

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